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A ESPIRITUALIDADE DO ADVENTO- 12/12/2013

A ESPIRITUALIDADE DO ADVENTO
 
 
            Estamos vivendo o tempo litúrgico do Advento. Toda a liturgia deste tempo é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica de um fato acontecido há dois mil anos atrás.
            1) A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o cristão e a Igreja, porque o Deus da revelação e o Deus da promessa manifestou em Cristo, toda sua fidelidade ao homem. Em toda a liturgia do Advento ressoam as promessas de Deus, principalmente pela voz do profeta  Isaías, que reaviva a esperança de Israel.
            A esperança da Igreja, portanto, a nossa esperança é a mesma de Israel, mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor: "Maranatha: vem, Senhor Jesus". É o grito e o suspiro de toda Igreja e de cada um de nós, em seu peregrinar terreno ao encontro definitivo do Senhor. É esta espera do Senhor que vem que dá sentido ao nosso caminhar.
            A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria. O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Deus é fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia não só relembra, mas quer que seja vivida por cada um de nós.
            2) No Advento, toda a Igreja vive sua grande esperança. O Deus da revelação de Jesus tem um nome: "Deus da esperança" (Rm 15,13). Não é o único nome do Deus vivo, mas um nome que o identifica como "Deus para nós e conosco". Este tempo deve ser para nós e todos precisamos, um tempo de grande educação à esperança: uma esperança forte e paciente; uma esperança que aceita a hora da provação, da perseguição e da lentidão no desenvolvimento do reino; uma esperança que confia no Senhor e nos liberta das nossas muitas impaciências.
            Esse empenho da Igreja torna-se mais forte e urgente diante das grandes áreas vazias de esperança, que se registram no mundo contemporâneo, inclusive no nosso Brasil. A geografia do desespero é maior e mais terrível do que a geografia da fome e é expressão aterradora do avanço de anti-humanismos destruidores, como a droga. a corrupção, a violência e tantas outras situações que desumanizam o ser humano.
            3) Advento, tempo de conversão. Não existe possibilidade de esperança e de alegria sem retornar ao Senhor de todo o coração, na expectativa da sua volta. A vigilância requer luta contra a indiferença e negligência; requer prontidão e, portanto, desapego dos prazeres e bens terrenos (cf. Lc 21,34 ss).
            Os comportamentos fundamentais do cristão exigidos pelo espírito do Advento estão intimamente unidos entre si, de modo que não é possível viver a expectativa, a esperança e a alegria pela vinda do Senhor, sem uma profunda conversão. Por outro lado, diante das tentações e ilusões da vida presente exigem-se do cristão a vigilância, um treinamento diário na luta contra o maligno; exige sobriedade e oração contínua: "sejam sóbrios e fiquem de prontidão", nos alerta Pedro em sua carta apostólica (1 Pd 5,8-9).
            4) Enfim, um comportamento que caracteriza a espiritualidade do Advento é o do pobre. Não tanto o pobre em sentido econômico, mas o pobre entendido em sentido bíblico: aquele que confia em Deus e apóia-se totalmente nele. Estes anawîm, como os chama a Bíblia, são os mansos e humildes, porque as suas disposições fundamentais são a humildade, o temor de Deus, a confiança, o amor e a fé.
            Jesus proclamará felizes os pobres e neles reconhecerá os herdeiros do Reino, e ele mesmo será um pobre. Maria, a mulher do advento, emerge como modelo dos pobres do Senhor, que esperam as promessas de Deus, confiam nele e estão disponíveis à atuação do plano de Deus. Não nos esqueçamos que a pobreza do coração, essencial para entrar no Reino, não exclui, mas exige a pobreza efetiva, a renúncia em colocar a própria confiança nos bens terrenos, libertando-se da ambição desmedida e da sede e desejo de possuir.
            Vivendo assim este "tempo de graça" que a Igreja nos oferece, o Natal do Senhor deste ano terá um novo sentido em nossa vida espiritual.
            Façamos deste tempo do advento uma oportunidade única para acolher a graça de Deus que passa pela nossa vida...
 
Frei Adalto Antônio
 
 
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