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XIV DOMINGO COMUM ANO C- 06/07/2013

                     XIV Domingo do Tempo Comum do Ano C
Neste domingo, dia 7 de julho, vamos refletir sobre a perícope de Lucas sobre “A missão dos setenta e dois discípulos” (Lc 10,1-20)
Somente Lucas relata essa missão dos setenta e dois discípulos. Contudo, grande parte do material se acha em Mateus, no contexto da missão dos doze e em outros. A designação e o envio dos setenta e dois não constituem, no quadro teológico de Lucas, um suplemento de colaboradores para os “doze”, mas legitimam uma missão paralela, com autoridade e tarefas análogas. A novidade é constituída pelo número: 72 (ou 70, segundo alguns manuscritos). Provavelmente com este número se quer indicar um grupo amplo de discípulos que foram associados à atividade de Jesus. Mas na reflexão cristã ulterior (posterior), esta experiência se inscreve nos esquemas da missão cristã ao mundo dos pagãos. Nesta interpretação, com o envio dos 72, a ação missionária junto aos povos é não só legitimada, mas até antecipada. Realmente, na tradição judaica as nações da terra que tinham ouvido a promulgação da lei no Sinai eram 70 (cf. Gn 10; Dt 32,8). Portanto, os discípulos são enviados a todos os povos. Como testemunhas autorizadas, devem levar dois a dois o anúncio importante de Jesus: O reino de Deus chegou até vós (10,9). Este é o momento decisivo da história, em que é oferecida a todos a possibilidade de fazer parte do reino. É como o tempo da colheita, quando há necessidade extrema de trabalhadores. Deus, que é o dono da colheita, tem a iniciativa: chama e envia. A oração é a atitude do discípulo que reconhece a gratuidade e a iniciativa divinas.
O método do trabalho missionário dos discípulos, o estilo e as perspectivas de sua obra são semelhantes aos dos doze. Aqui, porém, a apresentação das regras messiânicas abre-se com uma sentença que dá a chave musical de toda a composição. Os enviados são como cordeiros no meio de lobos! Ainda que esta imagem se inspire num fraseado tomado da tradição judaica (os filhos de Israel são como cordeiros no meio dos lobos, a saber, os pagãos) e nas primeiras experiências comunitárias cristãs (cf. At 20,29; Jo 10,12), a perspectiva que se abre perante os missionários não é muito alegre e confortante. Certamente se define, de maneira inequívoca, seu estilo e espírito. Eles não podem contar com a força, o poder e a violência. Estão desarmados, expostos à mercê do mais forte. A pobreza dos inícios torna-se fundamento e sinal de sua liberdade e da plena dedicação à tarefa única, que os arranca de todos os impedimentos ou atrasos. Isto é definido com precisão numa série de normas rápidas: livres de todo entrave, os enviados fixam diretamente a meta, como deviam fazer uma vez os discípulos dos profetas, sem parar nem sequer para a saudação, que – segundo a etiqueta oriental – exigia muito tempo (cf. 2Rs 4,29). A verdadeira saudação, ao invés, é reservada aos destinatários da missão. Esta não é um simples augúrio, mas uma palavra eficaz, que dá alegria e felicidade. Em poucas palavras, é a “paz” messiânica, que coincide com a salvação (10,6).
O missionário fica completamente exposto, também no que diz respeito a sua sustentação, aos riscos da missão: acolhimento ou rejeição, sucesso ou fracasso. Não há garantias secretas. Ele fica dependendo da hospitalidade daqueles que acolhem a mensagem. Mas nada pode deter ou impedir o prosseguimento de seu mandato: não à busca de uma hospedagem mais cômoda, nem aos tabus alimentares, que impediam os judeus de frequentar ambientes pagãos; nem à rejeição ou oposição das pessoas. Ele é um enviado que traz o último e urgente apelo e a possibilidade da salvação, que devem chegar aos ouvidos de todos, custe o que custar. Neste “manual do missionário”, podem-se entrever, como em filigrana, as experiências missionárias que Lucas descreve nos Atos dos Apóstolos: as missões de Pedro e João (8,14), de Paulo e Barnabé (13,2), de Paulo e Silvano (16,40).
Entre o envio dos setenta e dois discípulos e seu retorno, Lucas inseriu algumas sentenças de Jesus endereçadas às cidades em redor do mar da Galileia, onde ele empreendeu sua primeira atividade: Cafarnaum, Corazim, Betsaida. As palavras de Jesus, em tom de lamentação, querem ser o último amargo apelo à mudança ou conversão. A isso, com efeito, tendem os gestos de Jesus e os milagres cumpridos naqueles lugares. Agora se lhes oferece a última possibilidade de salvação, porém com uma autoridade e urgência que superam de muito a dos antigos profetas, como Isaías e Ezequiel, que chamaram à conversão as cidades pagãs de Tiro e Sidônia (cf. Is 23,1-18; Ez 27-28). Da mesma autoridade gozam também os discípulos.
A cena da volta alegre dos discípulos recorda a dos pastores no evangelho da infância (2,21), ou dos primeiros missionários ao mundo pagão nos Atos (cf. At 14,27; 15,4.12; 21,19). Aos discípulos, impressionados pela eficácia de seus poderes carismáticos, Jesus revela a dimensão profunda do projeto em que eles estão inseridos. Trata-se do fim do reino de Satanás, que retrocede lá onde se revela a potência vitoriosa de Deus (cf. 11,20). Para exprimir essa vitória, que significa desendemoninhar a história humana, Jesus recorre à imagem com a qual o profeta Isaías descreve a queda do imperialismo babilônico, representado pelo seu rei: “Como caíste do céu, Lúcifer, filho da aurora...” (Is 14,12). Os discípulos participam do poder de Jesus, poder que é dado ao messias para esmagar o antigo adversário, que mantém escravo o ser humano com toda forma de prepotência (cf. Sl 91,13: relido em chave messiânica). Então os poderes carismáticos dados aos discípulos não devem tornar-se um privilégio, um título de prestígio pessoal, mas uma ocasião de reconhecimento e gratidão pela liberalidade divina, que os associa a sua plenitude de vida e liberdade. Por puro dom de Deus, eles gozam da cidadania da nova pátria. Na linguagem bíblica se diz: “Os vossos nomes estão inscritos nos céus”. (cf. Êx 32,32; Sl 69,29)
Façamos com que os nossos nomes também estejam inscritos nos céus! Amém.
Frei Juracy Aguiar, OFMCap (membro da PROCASP)
 
 
 
 
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