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O Novo Mandamento que é o Amor- 26/04/2013

                             O novo mandamento (Jo 13,31-35)Frei Juracy Aguiar, OFMCap
 
Neste domingo, dia 28 de abril, vamos refletir sobre o novo mandamento do Senhor, que é o amor.
O centro desta perícope é o dom do novo mandamento. É bastante importante para justificar uma    análise paciente. Mas também a moldura em que se enquadra não carece de significado.
Os vs. 31-32 destacam-se literariamente do resto. Os discursos de despedida caracterizam-se, do ponto de vista literário, pelo uso exclusivo do discurso direto: eu, vós, mas nunca a terceira pessoa. Estes dois versículos tornam-se mais uma predição da Paixão agora iminente. Deste modo, cabem na moldura que foi mencionada. O novo mandamento enquadra-se no contexto da “partida” de Jesus (v. 33). É o mandamento do tempo da Igreja, que se caracteriza como tempo no qual o Senhor não está mais visivelmente presente e os discípulos parecem estar à mercê do ódio do mundo e da sua própria fraqueza. Num certo sentido, o dom do mandamento novo é a resposta de Jesus a Vós me buscareis. A comunhão fraterna é o lugar no qual Cristo continua presente. Mas quais são as qualidades deste amor que é o dom de Cristo e que simultaneamente é sinal de sua presença e de sua consolação?
O mandamento que Cristo dá à sua comunidade tem uma dimensão cristológica (como eu...) e eclesial (uns aos outros, repetido três vezes). Para exprimir isso, João se serve do vocábulo entolé (condição para união, ordem), termo característico da literatura deuteronômica (na Septuaginta) para indicar a manifestação da vontade de Deus. É um vocábulo de revelação (ou seja, manifesta quem é Deus) e é por isso que Jo o prefere. Ao invés, não usa o vocábulo nomos(lei), reservado à lei de Moisés, realidade positiva, mas agora superada.
Pode-se notar que Jo tem a tendência de reduzir o plural “mandamentos” ao singular “mandamento”. O sentido disso é óbvio: as manifestações podem ser múltiplas, mas se trata sempre do único mandamento fundamental. Trata-se de “conhecer” (aspecto de revelação) e de “viver” (aspecto de preceito) o amor que circula entre o Pai e o Filho (cf. Jo 17) e do qual o filho encarnado (como vos tenho amado) é a transparência. O mandamento que Cristo dá aos discípulos é exatamente o mandamento que ele mesmo recebeu do Pai.
O amor que Cristo ordena encontra nele o modelo, a origem e a medida. O amor de Jesus torna-se para nós norma e modelo. É o fato de sermos amados por Cristo que nos obriga à fraternidade e, antes disso, no-la torna possível. O amor de Deus por nós exige fraternidade, e nesta se concretiza a fidelidade ao amor de Deus.
O mandamento de Jesus que nos ordena o amor é definido como mandamento novo. Os gregos tinham dois adjetivos para expressar a novidade: neose kairós. O primeiro indica a novidade no tempo, a novidade cronológica, aquilo que acontece hoje e não acontecia ontem; poderíamos traduzi-lo por “recente”. O segundo termo é mais rico em significação: contém uma comparação, indica novidade qualitativa (e não só no tempo), algo de novo e original em relação ao que é habitual; indica uma superioridade em relação ao que precede; muitas vezes conota a ideia de surpresa, de inesperado. Por isso, Jo prefere o termo kairós. O amor é a novidade escatológica. É também significativo que Jo use este adjetivo exclusivamente para indicar o amor (e é o único autor do NT que faz isso). Ele está convencido de que o amor é a verdadeira novidade de Cristo e seu dom mais específico e original. O amor é o cerne da originalidade cristã. A novidade do amor não é cronológica; no sentido cronológico, ele é “velho”, remonta às origens e faz parte do querigma (anúncio) primitivo. Sua novidade é qualitativa. O amor pode sempre ser chamado de “novo”: sua novidade é persistente, sempre em choque com a lógica velha que está em nós. A caridade é sempre desperta, sempre surpresa e exige sempre conversão e renovação.
Caríssimos irmãos e irmãs, que possamos expandir esse amor de Jesus Cristo a todos, sem preconceito, sem impor condições, pois o Mestre veio para todos e não para um povo eleito, escolhido.
 
Frei Juracy Aguiar (membro da PROCASP)
 
 
 
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