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O PAPA- 15/03/2013

FRANCISCO, UM PAPA LATINO-AMERICANO
 
 
            O Papa é o sucessor de São Pedro (não de Jesus Cristo); é o Vigário de Cristo na Terra. Cristo não tem sucessor, tem vigário. A ele Jesus deu todo o poder na Igreja para “confirmar os irmãos na fé” (Lc 22,32), é o chamado “múnus petrino”. A ele Jesus confiou as Chaves Do Reino dos Céus, isso é, “o poder de abrir e fechar”, de ligar e desligar (Mt 16,19); e definir de maneira infalível verdades da fé (dogmas). Jesus não lhe prometeu impecabilidade, mas infalibilidade; isto é, mesmo podendo pecar, não pode errar quando ensina a “sã doutrina da salvação” (1Tm 1,10; 4,6; 2Tm 4,3; Tt 2,1). O Papa não pode errar quando promulga as verdades da fé. Não pode errar quando decide canonizar um santo, por exemplo.
            O cardeal Jorge Mário Bergoglio, que adota o inédito nome papal de Francisco, é pioneiro a vários níveis: o primeiro Papa sul-americano da História da Igreja Católica,  é também o primeiro jesuíta a ocupar o trono de São Pedro. 
            O 266º Papa nasceu em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, descendente de uma família italiana. O pai, Mario, era empregado nos caminhos de ferro e a mãe, Regina Sívori, doméstica. Com 76 anos e três meses, é dois anos mais novo do que era Joseph Ratzinger em 2005. Mas é, ainda assim, um dos Papas mais idosos na história a assumir o cargo.
            Estudou para técnico químico, mas mudou de rumo em 1958, com 21 anos, optando pelo sacerdócio. Entrou nesse ano para a Companhia de Jesus, como noviço. Depois de uma passagem pelo Chile, voltou a Buenos Aires para concluir os estudos em filosofia e teologia. 
            Foi ordenado padre em dezembro de 1969, nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992, arcebispo da capital argentina em 1997 e cardeal em 2001. Em 2005, como cardeal eleitor, já participou no conclave que elegeu o seu antecessor, tendo sido, um dos nomes mais votados, quase a par do eleito Joseph Ratzinger.
            Foi ainda antes dos 35 anos que enfrentou um delicado problema de saúde, com dificuldades respiratórias que o levaram a perder um pulmão. Restabeleceu-se plenamente dos problemas, graças a um austero regime de vida.
            Ao longo desse percurso, Bergoglio teve várias experiências de ensino, sendo ainda reitor da faculdade de teologia e filosofia em São Miguel, numa altura em que vigorava na Argentina uma ditadura militar. Não lhe foram conhecida intervenções políticas nesse periodo, que terminou em 1983. Mas durante os motins provocados pela crise econômica de 2001, relata o diário La Nación, interveio contra a brutalidade policial na repressão das manifestações de rua, apelando diretamente ao ministro do Interior. 
            A partir de 1986 viajou para a Alemanha, onde completou o doutoramento, antes de regressar à Argentina, onde se tornou diretor espiritual e confessor da Companhia de Jesus. Publicou vários livros relacionados com a fé, entre eles Meditações para religiosos (1982), Reflexões sobre a vida apostólica (1986) e Reflexões de Esperança (1992).
            Tem uma página no Facebook, que não gere pessoalmente, e não dá entrevistas, pelo que a sua imagem mediática, discreta, resulta das declarações feitas em homilias ou outras intervenções públicas. 
            Assumiu no passado posições próximas das classes desfavorecidas, lamentando a sorte das «meninas que deixam as bonecas para entrar em tugúrios da prostituição, por terem sido roubadas, vendidas e traídas».
            É um crítico sem reservas do aborto. «Nunca é uma solução», afirmou por diversas vezes, acrescentando: «não se pode limitar o valor supremo da vida nem o direito das crianças por nascer». O combate às drogas (que definiu como «um mercado da morte») e as críticas à classe política, que acusou por diversas vezes de «vaidade e falta de humildade», são outras características do novo Papa. 
            Até há pouco tempo, como mais alto responsável religioso de Buenos Aires fazia questão de utilizar os transportes públicos da capital argentina para contactar com a população e ocasionalmente continuava a ouvir confissões na catedral de Buenos Aires, como um simples sacerdote
            Realmente oEspírito Santo não deixa de nos surpreender. Contra toda a parafernália dos meios de comunicação social e dos seus candidatos e das casas de apostas, a boa-nova do dia explodiu: Francisco, o papa da Surpresa. A surpresa da sua procedência: o primeiro jesuíta, o primeiro da América Latina e o primeiro não europeu em mais de mil anos: os irmãos cardeais foram procurá-lo quase no fim do mundo… Roma e a Europa deixaram de ser o centro do mundo. A mudança é do centro para a periferia. Dos palácios para as cabanas. Da lógica do poder para a lógica do Serviço. Da força da diplomacia para o dinamismo do Evangelho.Da cabeça emproada para uma atitude de humilde inclinação diante do povo, suplicando a sua oração…
            Queremos com alegria acolher o novo Papa e suplicar a sua bênção, renovar o nosso compromisso de lealdade e prometer obediência e num só coro entoar: “Vem, Francisco, a Igreja reconstruir”...
 
Fr. Adalto Antônio
 
 
 
 
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