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FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA- 23/03/2012

FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA
QUE A SAÚDE SE DIFUNDA SOBRE A TERRA” (Eclo 38,8)
 
            Caminhamos pelo tempo da quaresma, da preparação à Páscoa de Cristo, tempo de revisão de vida, aprofundamento da fé pela oração e pela atenta escuta da Palavra de Deus, tempo de recolhimento para que se haja uma transformação pessoal e comunitária em direção da paz e da solidariedade. Em vista dessa transformação de vida, tão necessária hoje em que a vida se encontra muitas vezes difícil e abandonada, e inspirada na pessoa de Jesus – daquele que veio servir, cuidar e curar-nos de todos os males – é que a Igreja se aproxima e se solidariza com as situações de dor e sofrimento de nosso povo. Para que pela fé e pela caridade seja força na transformação da dor em paz, do abandono em acolhida, do maltrato em amor.
            E este ano, todos nós estamos sendo interpelados pela preparação à Páscoa através da Campanha da Fraternidade a vermos atentamente a realidade sofrida da saúde pública, do seu atendimento, das lacunas existentes nesta, bem como as faltas que isso provoca à população em geral, principalmente entre os mais empobrecidos. Cientes de que a dor e o sofrimento nunca nos são queridos por Deus e, mesmo sendo parte da nossa condição humana, sempre provocaram na humanidade a busca da cura e de remediar essas condições de instabilidade e doença.
            Isto porque o ser humano é criado para viver bem, com bem estar, em paz e em harmonia, como reza o salmo 33: “Qual o homem que não ama sua vida procurando ser feliz todos os dias?” Por isso, esta Campanha da Fraternidade não visa discorrer somente sobre as doenças, antes “que a saúde e o bem-estar se difundam, se expandam sobre toda a terra, para todas as pessoas” (cf. Eclo 38,8).
Hoje, depois de séculos de pestes e doenças incuráveis molestando a humanidade, temos grandes avanços nas técnicas e nos meios para cuidar e tratar as pessoas, superando já várias enfermidades (como, no Brasil, o sarampo, a rubéola e a paralisia infantil), todavia, ainda urge revermos com qual humanidade e amor fazemos isso; décadas atrás se carecia de muitos aparelhos e meios eficazes para diagnosticar e tratar as pessoas, no entanto, havia, por exemplo, os “médicos de família”, o que exprimia uma das principais ações curativas: o bom acolhimento, atenção efetiva e afeto às pessoas atendidas. Assim, hoje, apesar de contar com meios mais avançados, temos muitos padecendo paradoxalmente pela carência de tratamento humanizado, acolhedor, adoecendo pelo abandono e individualismo, que causam a depressão, ou mesmo pelo ritmo consumista que se está vivendo, associado à obesidade com sedentarismo, hipertensão etc.
Também tempos atrás não se podia conceber tratamento de saúde como direito de todos, pois adoecer era uma realidade muitas vezes inevitável e comum por se faltar meios preventivos e curativos suficientes; hoje, por outro lado, sabe-se da grande possibilidade de se evitar e tratar das mais variadas enfermidades, porém, as pessoas continuam com o senso de sobrevivência de que “salve-se quem puder”, direcionando os recursos e os avanços não para todos, levando multidões a sofrerem com um sistema de saúde insatisfatório diante dos avanços técnicos e dos apelos da lei de que “a saúde é direito de todos e dever do Estado” (Constituição de 1988, art. 196). 
            Urge, então, rever esse senso de sobrevivência que exclui multidões de pessoas, revendo que não podemos buscar insaciavelmente viver “melhor” às custas dos outros, esbanjando e se aproveitando de possuir bens e influências; antes, somos interpelados com esta Campanha a vivermos bem e resgatando o bem comum, olhando para os milhares de pessoas sem atendimento digno de saúde como irmãos aos quais devemos nossa solidariedade e nossa mobilização por melhoria no sistema de saúde e por uma qualidade de vida digna e saudável. Isso nos pede uma grande aproximação dos irmãos e da Mensagem de Jesus, pois só a partir deles e do Evangelho é que garantiremos efetivamente saúde com vida digna, com moradia e boa educação, com alimentação de qualidade a todos, com saúde nas relações sociais, sem relações violentas, com saúde nas relações pessoais, em que o desamor dê lugar ao perdão e ao diálogo nas famílias, nos grupos, nas escolas...
            Por fim, salientamos como uma atitude de comprometimento com a melhoria da saúde pública a nossa organização nos bairros e comunidades para requerermos essa melhoria junto ao poder público, aos organismos responsáveis pela saúde pública, ao Conselho Municipal de Saúde, o qual pouco sabemos, mas este tem papel de acompanhar e controlar permanentemente a ação do governo na área da saúde (cf. Texto-base da CF, nº 120). Não é uma tarefa fácil, mas a realidade desprovida dos mais pobres e a Boa Nova de Jesus de libertação dos oprimidos (Lc 4,18) nos impelem a isso.
 
 
Fr. Marcelo Toyansk Guimarães
 
 
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