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PASTORAL LITÚRGICA

 

        A Pastoral Litúrgica é uma preocupação muito recente na vida Igreja.
É uma pastoral complexa, desafiadora e pouco refletida ou pensada sistematicamente. É um empenho desafiador e corajoso no contexto atual da Igreja pós Concílio Vaticano II.
Não é possível tocar nesse assunto sem se dar conta do conjunto das ações do povo de Deus que tem na liturgia “cume” (SC, 10), ponto alto de toda ação da Igreja. Ela se torna “fonte” à medida que for vivida em comunhão com “as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem” (GS, 1) .
Pastoral Litúrgica é um serviço de animação da vida litúrgica da Igreja, ação organizada em todos os níveis, à partir das Comunidades, e em comunhão com os objetivos da ação evangelizadora eclesial, com seus aspectos essenciais: a realidade que nos interpela; a Igreja em estado permanente de missão e o agir em comunhão com o tríplice ministério (palavra, caridade e liturgia).
O esforço para organizar uma Pastoral Litúrgica numa Comunidade, Paróquia, Diocese, precisa levar em consideração a necessidade de unir outros dois aspectos essenciais: a formação litúrgica e a celebração do Mistério Pascal. À luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (CNBB, doc 87), a preocupação em organizar a pastoral litúrgica, em todos os níveis, precisa estar situada no contexto da pessoa, da comunidade e da sociedade.
           
 Necessidade de uma Pastoral Litúrgica
           
Pastoral Litúrgica refere-se a uma ação organizada da Igreja, em sintonia com outras dimensões da vida eclesial. Trata-se de uma ação que une e dinamiza as demais ações eclesiais, como desejou o Concílio Vaticano II (SC 43-46), no contexto de uma pastoral de conjunto, a partir de uma Comunidade Eclesial.
A Pastoral Litúrgica não é uma ação isolada de outras ações pastorais (CNBB, doc 43, 186) pois:“a liturgia é o cume para o qual se dirige a ação da Igreja, ao mesmo tempo, fonte donde emana toda a vida da Igreja”(SC 10). Portanto, o primeiro ato é reconhecer que a liturgia é fonte, eixo, convergência e irradiação de toda a vida eclesial. Todas as ações têm nas celebrações sua referência, espaço privilegiado de encontro com Deus na vida.
A Pastoral Litúrgica tem seu eixo nas experiências de encontro com Deus presente na vida e caminhada do povo de Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, numa inserção humana. É viver na e da memória do Ressuscitado (1 Cor 11,25), no horizonte do “Ide preparar ...”(Lc 22,8), sendo Igreja ministerial, servidora, espaço de encontro com Deus, de compromisso e solidariedade com o ser humano e com a realidade a ser transformada de acordo com a vontade de Deus.
                                     
Agentes da Pastoral Litúrgica       
           
Tendo presente que a liturgia tem seu “caráter” de iniciação e mistagogia, é fundamental que cada pessoa que participa das ações litúrgicas ou exerce alguma função nas celebrações receba a devida formação, tendo em vista a construção de comunidades eclesiais vivas, missionárias e colaboradoras no processo de transformação da sociedade.
Todas as pessoas que assumem funções (ministros ordenados, reconhecidos, confiados ou não) ou simplesmente participam na liturgia, precisam ser capacitadas para compreenderem melhor o que acontece quando celebramos os “mistérios de Cristo e da Igreja” (CNBB, doc 43, 193).
Quem ama a liturgia pode ser um bom agente da Pastoral Litúrgica. Quem ama sai de si mesmo, encontra o outro, transborda, oferece o que tem de melhor... A liturgia é um caminho de sedução que atrai para a comunhão com Deus e entre os homens e mulheres. Ela sacia nossa sede de Deus, como ato comunitário por uma participação plena, consciente, ativa e fecunda (SC, 27), nos orientando na dinâmica da história, sendo sensível às condições sócio-cultural do povo. Para a realização desses princípios fundamentais na liturgia, faz-se necessário uma adequada formação das pessoas para evitarmos certos erros, abusos e distorções em cada celebração do Mistério Pascal.
A Pastoral Litúrgica se traduz no cuidado das pessoas por aquilo que realizam, a fim de que a beleza de Deus se expresse e se manifeste no compromisso de nossa fé, no seguimento de Jesus Cristo e da construção do seu Reino para que vivamos numa sociedade mais justa, humana e fraterna.
           
Organização da Pastoral Litúrgica
           
O coração desta pastoral são as equipes de liturgia em todos os níveis. O trabalho em equipe é a base que consolida e sedimenta a Pastoral Litúrgica. Trata-se de um jeito de servir ao Reino, na Igreja, que ajuda a superar o isolamento nas ações, atitudes de monopólio e poder tão prejudiciais na vida eclesial. Aprendemos com Jesus e com as primeiras Comunidades a não fazer nada sozinhos (Mc 3,13-19; Fl 2,1-5). Para isso é necessário que numa equipe de liturgia exista amizade, confiança, oração, respeito e valorização das pessoas, sendo um trabalho que ajude o Reino a crescer.
Coração da Pastoral Litúrgica é a equipe de liturgia. Ela deve integrar crianças, jovens, homens e mulheres (CNBB, doc 52, 42), tendo como tarefa principal a preparação das diversas celebrações do Mistério Pascal (Sacramentos, Celebração da Palavra de Deus, Ofício Divino, Exéquias, Bênçãos...), a busca de uma formação sistemática partir da Sagrada Escritura e dos Documentos do Magistério.  
É sempre oportuno recordar que todas as pessoas que exercem ministérios litúrgicos (ministros ordenados, reconhecidos e confiados ou instituídos, “cantores” e outros) fazem parte da equipe de liturgia.
É tarefa da equipe de liturgia: cuidar da vida litúrgica da comunidade e paróquia; investir na formação de seus agentes; adquirir subsídios; ajudar a assembléia a expressar sua vida e caminhada; planejar, animar e coordenar a vida litúrgica da comunidade e paróquia; preparar as celebrações e auxiliar (assessorar) outras equipes que preparam para os sacramentos do Batismo, Matrimônio, celebrações ao redor da Palavra de Deus, celebrações sacramentais, Ofício Divino das Comunidades... Para que tudo isso aconteça é necessário uma boa coordenação.
Coração ou alma da Pastoral Litúrgica é a equipe ou as equipes de celebração litúrgica. Toda equipe de celebração deve ter presente as orientações pastorais da Igreja para a preparação de uma celebração (CNBB, doc 43, 219-228), dando atenção aos diversos elementos: acolhida, presidência, leitores, procissões, cânticos, serviço da Mesa... Na preparação de uma celebração toda equipe de celebração litúrgica deve se deixar iluminar por um método (CNBB, doc 43, 211-228; Guia, 127-133), evitando a improvisação e fazendo com que nossas ações sejam eficazes (IGMR, 352). 
É fundamental pensar na constituição destas equipes com pessoas que devem caracterizar-se: pelo espírito de serviço e de comunhão; pelo engajamento comunitário; pela capacidade de trabalhar em equipe; pelo exemplo de participação, oração e escuta e pela vontade de celebrar da melhor forma possível, entre outros aspectos.
Importante é avaliar as ações antes de programar outra. Ter presente que a equipe deve gerar comunhão e participação e que a função primordial é ajudar, fortalecer, animar, interligar, coordenar...
Elementos que não podem faltar em nossas equipes de Pastoral Litúrgica: criatividade; animação da vida litúrgica da comunidade; capacidade de análise e sintonia com a realidade eclesial e social; planejamento das ações de acordo com o ano litúrgico; elaboração de subsídios; contato com o que a Igreja do Brasil está publicando; busca permanente de auto-formação litúrgica; aprofundamento do sentido do canto e da música na liturgia, preparação das pessoas para os ministérios que desempenham (leitores, cantores, instrumentistas); elaboração de subsídios (roteiros de celebrações...); integração das pessoas das diversas pastorais, associações e movimentos existentes na Comunidade; ser um elo na Comunidade, entre outros aspectos.
O serviço de animação de vida litúrgica de uma Comunidade, Paróquia ou Diocese requer um bom plano de ação que garanta a comunhão e a participação. O planejamento participativo é o mais indicado. Ele permite o conhecimento da realidade, o estabelecimento de prioridades, a elaboração dos projetos ou atividades...
É um caminho que supõe avaliação permanente.
           
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
 
Constituição Conciliar “Sacrosanctum Concilium”sobre a Sagrada Liturgia. São Paulo, Paulus, 1997
 
Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” sobre a Igreja no Mundo de Hoje. São Paulo, Paulus, 1997
 
CNBB, Instrução Geral do Missal Romano, texto oficial, Brasília, 2008
 
______, Pastoral Litúrgica no Brasil. São Paulo, Paulinas, 1996
 
______, Guia Litúrgico Pastoral. Brasília. 2007
 

BECHAUSER, Alberto , OFM, Os fundamentos da Sagrada Liturgia, Petrópolis Vozes, 2004

 

 

 
 
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